Deh Leather

36 anos, Professor, de Sumaré/SP

O cheiro, a cor, o brilho do couro me chamam a atenção desde jovem; inicialmente pelos coturnos dos militares, meio que cresci devido a profissão de meu pai. Este desejo foi aflorando aos poucos e se intensificou por meio de viagens pelo exterior, onde encontrei pessoas que possuem fetiche pelo couro e assim compreendi melhor meus desejos e meu lado fetichista. Meu envolvimento com a comunidade leather brasileira começou há um pouco mais de dois anos; tempo para fazer ótimas amizades e compartilhar experiências. Com essa vivência e meu carisma espero poder representar a comunidade leather brasileira, jovial e receptiva.

Dom PC

37 anos, Médico, de São Paulo/SP

Meu nome é Raphael, mais conhecido na comunidade Leather – BDSM como Dom PC, 37 anos, Médico, de São Paulo – SP.
Meu envolvimento com o Leather se inicia já na minha infância, onde não tinha qualquer noção de sexualidade, porém já sentia um encantamento por botas. E por ter crescido numa cidade do interior, isto fazia parte do meu dia-a-dia, ou seja, eu cresci usando botas e cercado por pessoas usando botas, daí a expressão “booted for nature” poderia me representar bem. Com o passar dos anos, este fetiche por botas foi se derivando para o couro e já na adolescência tive minha primeira jaqueta de couro, apesar de ainda não compreender aquela sensação que tinha quando a vestia ou quando via alguém usando também. Lembro-me do cheiro dela, do toque, do gosto (e ainda a tenho) e da excitação que ela me despertava. Daí, para a descoberta da sexualidade e de que havia um mundo todo que sentia e desejava as mesmas coisas que eu foram alguns anos (sim, pois eu pensava que estas coisas de fetiche só existiam na minha cabeça!!!).

Com o término da graduação em Medicina e subsequente mudança para São Paulo, no início de 2005, veio a minha independência financeira, o que me abriu as portas do mundo e eu pude realmente encontrar e vivenciar minha essência, reconhecendo-me como Leatherman (que sempre fui, mas não tinha a concepção) e dominador no BDSM, pois junto com fetiche por couro e botas também havia um lado BDSM que dormia, e que acordou! E COMO ACORDOU!!!.

Já no primeiro mês em São Paulo, com meu primeiro salário comprei minha primeira calça de couro, mais uma jaqueta e mais dois pares de botas. Desde então, até hoje, não parei mais de aumentar minha coleção de couro e botas, que atualmente já beira uns 100 itens, dentre jaquetas, calças, botas, coletes, camisas, sobretudo, luvas, jockstrap, kilt e acessórios diversos.

Comecei então a fazer contato com pessoas que curtiam couro e botas e assim, aos poucos, fui me inserindo na comunidade Leather e fetichista, passando a frequentar a noite paulistana e os eventos relacionados, tais como Projeto Luxúria, Leather Night no Cruising Bar Station e vários outros eventos relacionados desde então, até recentemente a Leathermen Night no Bar Eagle, Leather Zone na Upgrade Club, Leather na Rua, Jantar Leather e por aí vai. Assim, minha inserção na comunidade foi cada dia mais intensa e eu sempre procurei participar de todos os eventos Leather e Fetichistas de acordo com minhas possibilidades, até que fui convidado a fazer parte do grupo de dominadores do BDSMCAMP BRASIL ao lado de grandes conhecedores da arte do BDSM, que se tornaram amigos do coração, incentivadores e parceiros; e com isso, pudemos contribuir para a divulgação nacional e internacional da cena fetichista brasileira.

Durante esses 13 anos de efetiva imersão na cultura Leather e BDSM, estudei muito, li muito sobre o assunto, suas origens, história e evolução, para entender seus processos e me entender como parte deste universo maravilhoso. Nesse aspecto, devido à minha formação Médica, foquei boa parte dos meus estudos na questão da saúde e da segurança das práticas de BDSM e na prevenção das DST/AIDS, sendo que tive o prazer de ser convidado para participar da Mesa Redonda sobre “Prevenção e Cuidados na Prática BDSM” no Museu da Diversidade em julho de 2017.

Do fundo do coração e sem qualquer arrogância, considero-me um Leatherman, pois vivo esta realidade, estou sempre buscando conhecer e estudar mais e mais sobre este mundo; eu uso couro/botas no meu dia-a-dia; eu falo para as pessoas sobre a cultura Leather, não no sentido de querer “doutrinar”, mas sim para dar visibilidade à nossa cultura, desmistificar, quebrar preconceitos, mostrar que somos pessoas comuns, que trabalham, que tem suas famílias, que pagam suas contas, que somos bons profissionais, bons filhos, bons maridos, bons amigos e que temos esta paixão por este universo.

Além da atuação na comunidade Leather brasileira tive a oportunidade de vivenciar a cultura Leather – BDSM fora do Brasil, tendo frequentado bares e eventos relacionados na Argentina, Estados Unidos, Holanda, França, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Hungria e Portugal. Em todos esses países participei de eventos e festas relacionadas à comunidade Leather local, bem, como pude exercitar, aprender e aprimorar as práticas de BDSM. Fiz muitos amigos nestes lugares, os quais mantenho contato contínuo via redes sociais e eventualmente quando viajo para o exterior, sempre trocando experiências, informações e compartilhando conhecimentos.

Dentre os principais eventos tive o prazer de visitar a FOLSOM EUROPE em Berlim no ano de 2015 foi uma das experiências mais fabulosas no contexto Leather, bem como todos os eventos existentes na semana que a antecede. Também o bar The Boots, em Antuérpia foi uma experiência incrível, devido à sua estrutura e à tradição Leather da cidade. E mais recentemente, participei dos eventos relacionados à eleição do Mister Leather Espanha em dezembro de 2017 na cidade de Madri, onde pude observar toda a estrutura e organização do evento, trocar informações com o presidente do Club Leather Espanhol e conversar com os jurados sobre os critérios de julgamento. Foi uma experiência ímpar, que me rendeu vários amigos e incentivadores à minha candidatura a Mister Leather Brasil, bem como uma proposta de aproximação, união e intercâmbio entre as comunidades Leather Brasileira e Espanhola.
Acredito ainda ter muita coisa pra contar aqui sobre meu envolvimento com a cultura Leather e meu efetivo ativismo, mas creio que os principais pontos estão aqui descritos.

Quanto ao concurso Mister Leather Brasil, recebi muitos incentivos de amigos da comunidade Leather Brasileira e Internacional, o que me fez decidir pela candidatura depois de refletir bastante, pois no momento em que estamos, acredito que o principal ponto seja dar visibilidade à cultura Leather no Brasil, desmistificar e quebrar preconceitos, como já disse anteriormente. Minha motivação é pela comunidade como um todo, no sentido de fortalecer os laços de amizade e parceria entre os membros, deixando de lado os ranços interpessoais e aumentando o número de adeptos através do esclarecimento da nossa filosofia. Ao mesmo tempo, observo ser necessário começarmos a valorizar mais a indústria nacional de roupas e acessórios em couro, não apenas pelo consumo, mas também pelo incentivo e ideias no design e fabricação de produtos em couro que atendam às expectativas da nossa comunidade.

Acredito também ser de fundamental importância a atuação efetiva na prevenção e conscientização sobre as DST/AIDS, no incentivo à pratica do sexo seguro e à prática do BDSM sempre seguro, sadio e consensual, promovendo o debate deste tema junto da comunidade LGBT e Fetichista e apoiando as instituições que trabalham nesta causa.

Faço parte da comunidade BLUF (Breeches and Leather Uniform Fanclub), membro n° 1667, e já estou em contato com seus administradores para a possível formação do grupo BLUF Brasil, no intuito de colocar nossa comunidade em contato mais próximo com a comunidade internacional. Da mesma forma, existe uma proposta de parceria com a comunidade Leather Espanhola, a qual gostaria de desenvolver.

Por fim, trago comigo esta experiência acima descrita, que ainda acredito ser pequena perante tudo o que ainda posso e QUERO aprender e vivenciar sobre a cultura Leather, porém estou extremamente motivado com ideia de ser um possível representante da comunidade Leather Brasileira e um multiplicador e difusor de nossa cultura, pois entendo que ser um verdadeiro Leatherman não basta apenas vestir-se de couro e sair por aí… para ser um verdadeiro Leatherman, deve-se entender que existe toda uma cultura subjacente e uma comunidade de indivíduos que se sintonizam nesses ideais.

 

Kake

41 anos, Desenhista Industrial, de São Paulo/SP

41 anos, nascido no Rio de Janeiro mas morando já há mais de uma década aqui em São Paulo. Criado no interior, garoto de fazenda, entre estábulos e cavalos, onde desde pequeno nunca estava sem minhas botas e vestimentas de couro de um autêntico peão. A textura, o cheiro e a masculinidade do couro foram se entranhando cada vez mais em minha vida a cada aumento de testosterona que vinha com o passar da idade. Um contato maior com a cultura leather aconteceu quando já estava no segundo grau, quando fui atiçado por meus livros e estudos sobre as Grandes Guerras Mundiais, uniformes alemães e ilustrações de Tom of Finland, então assumindo-me gay com 17 anos de idade; o que sempre tive muito orgulho. Esse orgulho que acabou me envolvendo e me deixando sempre ligado nos acontecimentos voltados aos direitos gays pelo mundo afora. Não consigo separar a cultura leather de todo esse ativo cenário da busca por nossos direitos nesse mundo ainda muito preconceituoso; onde nunca deixarei de mostrar, para quem quer que seja, todos os meus sentimentos por meus maridos, (isso, possuo 2 maridos que amo muito), e meu orgulho de ser um brasileiro gay e muito feliz.

Estar trajando meu uniforme de couro vai muito além do alto tesão que ele proporciona; fico poderoso, com muito mais vontade de mostrar ao mundo toda minha força e meu orgulho.

Leather pra mim é como a armadura para um cavaleiro, ajudando a ter a coragem de enfrentar esse mundo imaturo, e claro, nos deixando muito mais viris e sexy.

Maoriguy

31 anos, Analista de Sistemas, de São Paulo/SP

Sempre gostei do fetiche em geral e a cultura leather me chamam a atenção pelo cheiro do couro, vestimentas e visual. E para mim e inevitável se pensar na união do leather com o bdsm que me levam as minhas mudanças corporais que fazem parte da minha personalidade e estilo de vida.

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